Como uma nova onda na área de TI, o termo Computação Pervasiva tem instigado a imaginação dos apaixonados por tecnologia no que tange as possibilidades que este conceito propõe. Quando se pensa em pervasividade, deve-se pensar em ubiqüidade, que seria estar em todo lugar, porém, sem ser percebido. Tecnologias que foram um dia um desafio tanto na questão de acesso a estas como no seu desenvolvimento, hoje fazem parte de nossas vidas sem que sequer tenhamos consciência clara de sua existência ou participação. Hoje, ligamos o carro sem nos preocuparmos com toda a obra da engenharia por trás das peças de plástico, metal e condutores elétricos que compõem todo o conjunto que no final das contas possibilita a fácil e cômoda locomoção dos cidadãos nas ruas e avenidas das cidades. O mesmo acontece quando ativamos um interruptor em nossas casas. O único resultado que se espera desta operação é que a luz acenda, sem se preocupar com toda a infra-estrutura elétrica por trás disso, incluindo equipamentos desde transformadores, redes elétricas que percorrem quilômetros de distância até as hidroelétricas que são a matriz de toda a energia.

Nesse contexto, a computação pervasiva vem ganhando sua forma conforme a evolução das técnicas de engenharia, hardware e software se integram para produzir um resultado amigável e quase imperceptível ao usuário final, que de fato é o conceito de pervasividade. O que era uma área dominada e acessível somente a especialistas no assunto, tem se tornado uma realidade cada vez mais presente no cotidiano de todas as pessoas. Novos aparelhos tem se tornado de uso comum por todas as pessoas e profissionais de todas as áreas e as novas gerações praticamente nascem com isso, fazendo destas novas formas de interagir com a computação algo tão trivial como ter que ir a escola todos os dias.

Há todo um processo de adaptação cultural por parte dos usuários em relação ao uso da computação, mas a idéia da computação pervasiva é fazer-se tão discreta e tão familiar, que a interação com esta beira a realidade da vida das pessoas, ao ponto de sua presença ser quase imperceptível. As pessoas falarão com os aparelhos eletrônicos como se eles pudessem ouvir e entender suas instruções, e eles entenderão e executarão as ordens a eles designadas. As casas serão tão inteligentes e integradas que saberão quando alguma parte estiver defeituosa e acionarão a manutenção ou alertas necessários. O ambiente e iluminação serão adaptados ao gosto do morador. A casa será capaz de perceber qual o humor do morador para saber qual música deve tocar. Ela saberá também quando e como deve tratar o sistema de iluminação, de forma a aproveitar ao máximo a iluminação natural. A casa saberá também se é necessário regar o jardim ou dar comida ao cachorro, gato, pássaro ou qualquer que seja o animal de estimação. Isso sem falar na questão de segurança, que será automatizada ao ponto de chamar os bombeiros sem que seja necessário o morador estar em casa. Caso esteja, sistemas de iluminação de emergência e saídas de emergência serão destacadas para facilitar seu acesso. Diante de um cenário como este nas nossas casas, é possível ter uma vaga idéia do que o mundo corporativo irá dispor, desde a área estratégica até o nível operacional. Isso sem falar na evolução dos aparelhos e dispositivos móveis. Todos eles serão capazes de fornecer algum tipo de informação ou interação. Inclusive nossas roupas!

O que promoverá tamanha façanha será a aplicação de computação onde esta puder alcançar. É claro que existe um grande desafio técnico a ser vencido para que cenários como os descritos anteriormente se tornem possíveis e viáveis. Porém, vislumbram-se as casas do futuro como algo não menos parecido com o descrito e, portanto, as empresas fornecedoras de bens de consumo estão se preparando para evoluir para aquilo que os conceitos da computação pervasiva pretendem a promover.

Gigantes do hardware, software e serviços tem lançado suas projeções do que seria a realidade das pessoas diante de um cenário com a aplicação total de computação pervasiva e vislumbrando, senão já adaptando seus produtos e serviços a uma realidade iminente. Algumas parecem ter a pretensão de influenciar profundamente no formato destas novas tecnologias. Vídeos e apresentações espalhados pela rede mostram o que está por vir.

Os desafios técnicos em baixo nível vão desde e evolução dos meios de comunicação e qualidade na transmissão dos dados, falando especificamente da evolução das redes sem fio (Bluetooth, WiFi, WiMax, etc) até outros não tão triviais como sensores de todo o tipo de interação humana, desde movimentos e gestos até de temperatura e alterações de humor. Muitos desses aparelhos existem e estão em testes, mais especificamente em laboratórios, área médica, atletismo e outras específicas. Porém, já é possível visualizar a aplicação de tais aparelhos no cotidiano das pessoas. Conforme sua evolução e barateamento avançam, mais perto fica sua aplicação e acesso a usuários finais.

O progresso e a evolução rápida da tecnologia já se mostraram um fato determinante e praticamente irrefreável, assim como (e fruto de) a evolução humana. A busca por novas soluções e melhoramento das tecnologias existentes nos levará naturalmente para um futuro em que a computação se tornará completamente pervasiva, assim como aconteceu com a mecânica e a eletrônica.

No caso da computação pervasiva, não é preciso fazer a famosa pergunta “você está pronto para a computação pervasiva?”, já que, quando ela chegar, nós sequer notaremos sua presença.

O futuro

O termo já deixou de ser uma novidade no meio. Cada vez mais trabalhos e pesquisas sérias tem surgido para dar forma e novos pontos de vista sobre este conceito. Às vezes, é mencionada através de outros nomes como Computação Ubíqua. Algumas vertentes tem surgido sobre o mesmo conceito, mas com outros nomes. O mais recente é Internet das Coisas, que nada mais é do que uma implementação que promove a pervasividade da computação.

Com certeza muitos “entendimentos” ainda surgirão. Vamos esperar para ver como o mercado consumidor o absorverá.

Implementações

Para ter uma idéia do que pode se esperar de computação pervasiva, pelo menos na minha visão, seria algo parecido com o que este vídeo propõem. Economizarei texto por a apresentação fala por si.

Referências

http://www.slideshare.net/mauropin/mobilidade-e-computacao-pervasiva#

http://www.gta.ufrj.br/~rezende/cursos/eel879/trabalhos/smarthouses/introd.html

Agradecimentos

Fica aqui meu especial agradecimento ao professor Miguel Molina, que me apresentou e motivou o assunto, que agora tanto me interessa e frita boa parte de meus neurônios.
;)