Onde estarei quando a IA tomar conta de tudo

Pois é, cá estamos nós em 2026 e a IA permanece assombrando os planos futuros de boa parte dos profissionais de TI. Me incluo no grupo de profissionais de TI. Já o dos assombrados, bem, acredito ser mais cético do que qualquer outra coisa.

Acredite, a quantidade de material que consumi ao longo do ano tentando entender o que está acontecendo é no mínimo generosa. Simpatizo com todos que tenham feito o mesmo, afinal, quem não quer saber aonde esse barco vai ancorar (ou afundar)? Como não podemos controlar a direção para a qual isso tudo vai, nos resta ler a situação da melhor maneira possível e agir de acordo.

Uma coisa é fato. A IA já está causando efeitos na forma como trabalhamos, seja pela própria ou pelo efeito do surto coletivo, unido com a forçada de barra de seus promotores, ele/ela está aí. Não importa se você é apoiador ou “hater”. O segundo é ainda pior já que, com 90% de certeza, seu chefe já deve ter lhe perguntado como você está usando essa coisa de “IA” para melhorar seu trabalho, mesmo que não faça o menor sentido.

Depois de quase 4 anos de devaneios, arrisco em afirmar que a IA se consolidou como uma ferramenta de produtividade, em alguns casos, uma capacidade, daquelas que você coloca no currículo. Para algumas profissões, chega a ser até vital, enquanto em outras a recomendação é ficar longe.

Focarei aqui no ponto de vista de quem a usa como ferramenta de auxílio em seu trabalho. Há outras perspectivas importantes a considerar, como a de consumidor, mas que deixarei para mais tarde ou outro texto. O importante é tentar entender qual é a transformação e como reagir a ela.

IMPORTANTE: Esta é minha visão sobre o assunto até a publicação deste texto. Não pretendo voltar aqui para atualizar caso mude. Se acontecer, o mais provável é que haja uma nova publicação.

Os efeitos da IA no seu trabalho

Sou programador,  ou engenheiro de software pra quem achar o termo mais “profissional”. Eu gosto do segundo, principalmente depois de ouvir de um programador mais experiente (acho que o foi David Farley do Continuous Delivery) que “engenhar software” é resolver problemas com a ajuda de software, o que algumas vezes implica em codificar. O programador é mais para não esquecer que no fim de tudo, o trabalho ainda é colocar tijolo sobre tijolo, ou bit sobre bit.

Depois de muitos anos criando e mantendo software, dei a IA uma chance de me ajudar a resolver alguns problemas. Foram poucas experiências, mas deu pra concluir o seguinte:

É um baita assistente pessoal

Foco na palavra assistente.

Quando a Siri do iPhone foi lançada, minha cabeça quase explodiu. Ter algo parecido como um Jarvis (Homem de Ferro) era algo muito além de que se tinha feito até aquele momento. Infelizmente ela não faz café, mas responder perguntas com algum contexto ou executar tarefas simples dentro de seu ecossistema era um salto e tanto.

Os chatbots de hoje são basicamente uma Siri com um cérebro 100x maior, talvez até mais. Aqui, um cuidado. Você não dá mais de uma ordem em sequência para a Siri, certo? A próxima ordem virá com um novo contexto, já que ela de nada se lembrará do anterior. Não existe cadeia de acontecimentos nem de pensamento. O assistente do google até tenta e faz um trabalho bem legal, mas longe de ser “completo”.

Isso, caro leitor, dá uma ideia de até onde um desses chatbots consegue te levar. Lembre-se, ele é um assistente, não um agente. Esse continua sendo você.

Não tem nada de inteligente

Outro programador/influenciador que gosto muito (lembrar de procurar o nome dele se der tempo) diz com frequência e propriedade: Chatbots de IA são nada mais que consumidores e geradores de tokens. Quando bem treinado, consegue gerar resultados bem estruturados e condizentes com o problema a ser solucionado. Lembrando que, ele só sabe responder o que já foi dito a ele, inúmeras vezes, de diversas formas.

Não há inteligência no que ele faz, apenas “conhecimento” agregado, bem organizado, sim, mas a IA não fez isso sozinha, ele/ela foi “ensinada”. Não há errado nem certo. O que o modelo “souber” será entregue, ponto.

Se você não estiver preparado para julgar, analisar e testar o que foi gerado, minha recomendação é não se comprometer com o resultado.

O que prova isso é a quantidade e coisa gerada para promover conteúdo e não produto de fato, tanto que os anunciados ou dão errado, ou são tirados do ar frequentemente depois de um curto período de tempo. O resto é projeto caseiro que vai parar no github pra encher currículo. Experimentei na pele os dois casos.

Você ainda é o responsável

Sabe aquele júnior por quem você ficou responsável por ser mentor? Pois então, seu assistente de IA não é a mesma coisa. É pior. As únicas semelhanças são:

  • Você é responsável por tudo o que seu pupilo fizer, seja ela seu júnior ou uma IA.

Pronto. As semelhanças acabam aí.

O que seu júnior fará melhor do que qualquer IA é:

  • Aprender. A IA não aprende nada novo (sem o conhecido, caro e demorado treinamento de modelo), nem via RAG.
  • Questionar. O que um júnior faz de melhor, IMHO, é desafiar o status quo de muito sênior com novas ideias e perspectivas. Um júnior não tem vícios.
  • Evoluir. Se seu processo de contração for bom e o júnior for interessado, você tem uma jóia nas mãos e não só vai ter a satisfação de vê-lo crescer, mas crescerá com ele.

O que a IA fará melhor que seu júnior é:

  • Interpretar rapidamente mensagens de erro.
  • Responder perguntas rapidamente (lembre-se, é um assistente no fim das contas).
  • Sempre disponível (money), mesmo em horários fora do comum nos quais alguns sêniores adoram trabalhar.
  • Gerar boilterplates.
  • Possibilitar aquela POC daquela ideia que você teve preguiça de sentar e executar.

O que não muda é que, seja lá quem fizer o trabalho, você continua sendo o responsável. Uma IA te acelera. Um programador júnior te transforma.

Mas e se o júnior também usar IA? Bem, temos um problema. Se ele ainda é júnior, como ele vai saber perguntar ou solicitar à IA o que tem que ser feito? Como ele vai julgar a qualidade do resultado?

Mas minha IA faz tudo automaticamente para mim

Se você é daqueles que programou seus .md pra deixar o claude redondo ou seu N8 fluindo, primeiro, parabéns, segundo, isso não é IA.

Você “conduziu” seus modelos via .mds ou pré-programou seus steps de N8 para executar tarefas com condições estabelecidas. Isso NADA tem IA, nem artificial, muito menos inteligente. Artificial porque você, um humano natural (espero), programou aquilo, inteligente porque, se fosse, teria feito sozinho. Isso é pura programação determinística, não mais inteligente que um SE encadeado numa célula de Excel.

Se você quiser chamar isso de IA para encher seu perfil de LinkedIn, por favor, faça-o! Empregadores adoram, apenas reconheça pelo bem da sua saúde mental futura que isso é tão IA quanto a possibilidade de existir vida orgânica na superfície solar.

O que muda?

Ignorar a IA e seus impactos é impossível. Já passamos deste ponto. O estrago está feito e o efeito na cabeça dos mercados é irreversível. Ou você abraça, ou vira legado.

Você consegue viver sem IA, mas vai parecer mais lento que o outros, da mesma forma que alguém que consultava o manual de duas mil páginas de um produto/serviço ao invés de dar um google.

O mais lento ganha menos, é menos importante, menos visível, menos relevante, etc. Caso sua escolha seja ignorá-la, prepare-se para estar no fim da fila em muitas corridas relativas à carreira.

O melhor a fazer é saber as melhores formas de explorar o que já está disponível de IA, chatbots, prompts, para acelerar seu trabalho. Em muitas empresas isso ainda é muito limitado, e nestes casos, procure ser comedido, mas não se isole.

Sabe aquela diferença de relevância sentida por todo profissional que domina Excel frente a alguém que não faz ideia de como ele funciona? Troque Excel por IA. É basicamente isso. Domine a ferramenta, não deixe ela dominar você.

O que não muda?

Os fundamentos. Quando comentei acima que você precisa dominar a ferramenta, foi no sentido de saber o que ela pode fazer por você.

Eu adoro esse nome: ferramenta.

Ela pode transformar um ser humano em algo poderoso, um construtor, alfaiate, músico, desenhista; a lista é longa. Mas o fator preponderante é você! Se você não souber usar a ferramenta, vai usar um violão pra martelar um prego ou uma caneta esferográfica para cozinhar.

Então, quando você pede para uma IA gerar um aplicativo para fazer algo, a qualidade será análoga ao seu domínio do assunto. Ou seja, nos fundamentos.

No caso de programação, que é o meu, seria no mínimo: estrutura de dados, orientação a objetos, complexidade de algoritmos, redes de computadores, álgebra relacional, etc. Isso, claro, somado ao domínio de negócio do que você quer gerar.

Não seja aquela pessoa que usa um violino para construir uma casa.

Onde estarei quando a IA tomar conta de tudo

Agora que cheguei até aqui, lembrei do título do artigo. O que me levou a escrevê-lo foi justamente pensar no que posso fazer de melhor para enfrentar essa transformação toda. Minha decisão foi dedicar 50% do tempo antenado às novidades que precisamos absorver, enquanto os outros 50% serão no básico, mesmo, nem que seja o caso de aprender assembly para entender como as instruções são enviadas para um processador.

Se acontecer o mais provável, que é as IA se estabelecerem apenas como uma ferramenta de produtividade de luxo, continuarei aqui fazendo o mesmo, quem sabe até escrevendo mais textos como esse (sem IA).

Mas se a IA dominar tudo, bem, espero ter estudado assembly o suficiente para programar meus próprios jogos de GameBoy com a montanha de tempo livre que terei.

O autor, que não usou IA para escrever este artigo, só para traduzí-lo pro inglês (deu preguiça de reescrever tudo).

Excel – 4 décadas e a apatia dos programadores

Parabéns para o Excel! 40 aninhos de puro glamour, vindo da autosoma, passando pelos assistentes como o Clippy, gráficos instantâneos, tabelas dinâmicas, ribbon, script lab, etc., etc., etc… 40 anos, talvez mais velho que você, meu caro “internauta”.

Clippy, saudades, mas nem tanto
Clippy, saudades, mas nem tanto

Poucas ferramentas chegaram perto de habilitar o usuário de computador a produzir de forma tão otimizada quanto o Excel. Sim, estou falando do mercado corporativo, já que eu nem recomendaria que você pagasse uma licença de Excel só pra fazer sua lista de compras.

O Excel é [insira seu palavrão aumentativo preferido aqui] demais!

Mas… há um público específico que difere frontalmente desta perspectiva. Como faço parte deste grupo (sem compartilhar da opinião), neste texto, tomo a iniciativa de declarar o quão impopular é essa prática e como esse público poderia se beneficiar do seu uso.

Os programadores odeiam Excel

Ouso dizer que este é quase um axioma. Todo programador que conheci em quase todos os times os quais participei, expressavam um sentimento similar. Se havia exceções, elas eram sempre associadas aos que eram ou mais experientes ou próximas de analistas de negócios ou gerentes de projetos. Afinal, quem escapa de um bom relatório feito em Excel?

Passei muito tempo tentando entender o motivo da repúdia. Por um breve período, culpei o VBA. Para programadores de linguagens modernas (qualquer coisa orientada a objetos), o VBA é quase um insulto. Esse fenômeno tem explicação, que espero ficar mais claro mais tarde neste mesmo texto.

A conclusão foi a seguinte:

Excel não é para programadores (?)

Um gerente de projetos uma vez compartilhou um pensamento que fez sentido, e como bônus, ele também havia programado no passado.

Programadores têm um grande problema: eles não entendem ferramentas que não compilam.

Bem, o Excel não compila (esqueça o VBA por enquanto). Se alguma coisa não dá uma resposta positiva do tipo “sucesso”, o programador se sente perdido. Admito que esta é uma super simplificação de um problema maior, mas resume bem.

Ao abrir um Excel, o programador vê um grid, um dos controles mais poderosos e complexos na categoria interface de usuário. E isso é tudo o que eles veem. E é aqui que a oportunidade se perde. Se um analista de dados abre o Excel, ele vê um mundo de oportunidades. Uma célula é quase um universo em si se ela tiver acesso aos dados certos.

Ok, o sistema de fórmulas não é um Python (esqueça a fórmula PY por enquanto), mas se houver algo próximo de um “low-code” de sucesso, aqui está ele! E de quebra, é traduzido para uma quantidade quase obscena de idiomas, coisa que nenhuma linguagem de programação conseguiu.

Me faz pensar se o sucesso do Excel é o que incomoda, mas duvido desta premissa. Programadores são criaturas que, por dominarem certos conceitos de computação, sentem-se como os engenheiros do mundo moderno, e falam de cada programa como um mecânico fala do motor do seu carro, ou como um investidor de ações fala de como você está perdendo dinheiro na poupança, ou o nutricionista chato que diz que tudo o que você come engorda, ou o maromba da academia que diz que você está treinando errado, etc.

Acho que neste ponto o problema ficou claro.

O que o Excel consegue é ser simples para usuários não especialistas em computação, coisa que muitos programas que eles criam não conseguiram: criar um programa de sucesso.

O Excel forma programadores

Já tinha uma ideia parecida, mas tive uma epifania quando ouvi a opinião deste camarada:

Future of vibe coding | DHH and Lex Fridman (em inglês)

Este é apenas um corte e o assunto em questão é vibe coding, coisa que nem vou comentar aqui. Lá pelo minuto 2:30, ele faz uma referência ao processo de formação de um programador, mas também elucida como contadores, engenheiros, e outras profissões que processam dados conseguem através da ferramenta progredir naturalmente para a competência de produzir micro aplicativos, que é o caso do Excel.

Lembra quando falei sobre o trauma que programadores têm do Excel por causa do VBA? Pois então, é disto que estou falando. Contadores, engenheiros, advogados, analistas, todos têm acesso ao Excel e, quando rompem o limite do interesse, eles “progridem” para o VBA, criando um universo de “coisinhas” que basicamente sustentam muitos negócios. Com isso, todo tipo de microaplicação é possível, e ela não precisa de uma cara bonita, nem de um processo de distribuição complexo, o Excel já dá isso pra ela.

Esse potencial é o que a Microsoft não conseguiu substituir até hoje. Não tem PowerApps que consiga chegar perto. O usuário abre o Excel, adiciona algumas fórmulas, quando não é mais suficiente, abre o VBA e o céu é o limite. Lembre-se que o VBA pode chamar APIs do Windows diretamente.

Mas é aqui que está o pulo do gato. Se algumas das profissões citadas acima criaram um monstrinho em VBA e nunca mais voltaram para consertar, outros simplesmente se apaixonaram pelo trabalho e acabaram migrando para a profissão.

E nisto, eu me encaixo.

Saber Excel te faz um programador/profissional melhor

Para mim, tudo começou com o VBA. Admito que HTML e CSS tinham vindo um pouco antes, mas como a web ainda engatinhava, na minha rotina de analista o VBA fazia muito mais sentido já que o Excel era parte da minha rotina.

Daí, vieram as oportunidades, micro-aplicativos, gerenciadores de tudo o que possa imaginar, tudo cliente-servidor, etc., etc. Não muito mais tarde, já tinha decidido que minha carreira seria computação, software de preferência.

20 anos depois, mesmo tendo passado por papéis de liderança e arquitetura de software moderna (leia-se nuvem), o Excel me acompanha em praticamente todos os times em que trabalhei. Seja via algum tipo de extração ou manipulação de dados, relatório, ou mesmo automação, não era raro que alguns planilhas deixassem membros do time boquiabertos, por mais medianas que fossem. As situações eram muitas, de integrações com ferramentas, manipulação de arquivos, tudo. Web scraping então…

Um caso recente fez com que fosse destaque em uma das apresentações para o cliente, tudo por causa de uma UDF/macro + formatação condicional. Nas semanas seguintes, as mensagens no Teams não paravam pedindo ajuda para fazer algo parecido, mesmo um simples PROCV.

Logo depois, tarefas mais graciosas foram solicitadas, tudo porque este que vos fala podia automatizar coisas que vinham no Excel, enquanto outros membros da equipe, programadores ou não, mal passavam do autofiltro. Cheguei a ser chamado de “exército de um homem só”, ao qual respondi “bem que eu podia ser pago pelo trabalho de um exército”. (espero que meu gerente não esteja lendo isto [= )

Mas qual foi a diferença? Eu tinha em minhas mãos acesso a ferramentas muito mais poderosas, linguagens de alto nível, SQL Server, etc.

A diferença é que o Excel está aí, sempre esteve, e estará na máquina do estagiário e do CEO da empresa, e, se você for cuidadoso, seu bom trabalho vai acabar sendo visto pelo simples fato de sua solução ter sido empacotada num .xlsx.

O futuro

É verdade que boa parte das automações vem substituindo o que o Excel faria anteriormente, e por vezes ele nem entra mais na jogada. Mas o fato é que, tem muita, muita coisa para automatizar, e provavelmente haverá mais no futuro. Quando isso acontecer, o Excel estará lá para ou proporcionar ou auxiliar no processo de criação, teste e depuração da mesma.

Incluo nisto todo o barulho sendo feito pela IA, só para ficar claro.

Concluindo

Este é apenas um relato, o qual exponho de forma a você, caro leitor, tirar suas conclusões. Em meu ver, saber Excel, independentemente da sua posição no trabalho, desde que ela envolva passar boa parte do tempo na frente da tela do Windows, só te trará vantagens, se é que não vai mudar o rumo da sua carreira, como fez com a minha, e faz até hoje.

Valeu por tudo, Excel. 40 anos. Quem venham mais 101000!

O autor, que escreveu este texto sem a ajuda de nenhum GPT da vida, apesar de saber que eles o usarão para seu treinamento sem pedir permissão.

Não se apegue ao seu código. Se apegue aos seus testes

Faz um tempo que não falo de programação. O que atiçou a vontade de escrever de novo sobre o assunto é, pra variar, a liberdade que as redes sociais deram para que muitos pudessem falar a respeito de tudo, só pelo esporte de falar.

Dessa bagunça toda, algumas “máximas” têm sido criadas sobre o meio e, a que dá o título deste post tem me incomodado recentemente, apesar de já ter respondido sobre isso.

O motivo é, eu gosto do que faço, e sim, eu me apaixono pelo meu código, e muito. Gosto do que ele faz, do resultado que ele gera. Como não ficar feliz quando todos os seus testes retornarem “Success” depois de enviar sua versão para o build automatizado? Até mesmo antes disso, quando você roda os testes localmente.

Sim, eu gosto do meu código, mas gosto mais ainda quando ele funciona. E funcionar significa, pelo menos para mim (e recomendo que para você), que ele passa nos testes.

Permita-me caro leitor conduzi-lo de forma resumida pelo processo de amadurecimento pelo qual passei, que me fez chegar no ponto da carreira em que estou.

Como comecei a gostar do meu código

Já criei bastante código (afinal são mais de 20 anos programando), menos do que deveria, sendo honesto. Sou o tipo de programador que gosta de matutar o problema, colocar no “papel” antes mesmo de escrever uma linha de código. Esse é meu “normal”. Era melhor ainda quando isso era feito em equipe, onde todos discutiam o mesmo problema numa sala enquanto rabiscávamos o quadro.

Em um momento, seja por pressão de projetos, seja porque outros profissionais usam uma abordagem diferente, seja por outra máxima, a de “errar rápido para corrigir rápido”, senti a pressão de codificar o quanto antes. Isso foi para mim, um erro. Comecei a criar muito código, código é trabalho, e trabalho tem valor. Mesmo que tivesse criado uma monstruosidade, tinha apego por ela, afinal, era minha criação, uma obra de arte.

Depois de muito ver minha arte causar dores de cabeça para mim e para outros do time, achei melhor mudar a forma de encarar meu trabalho.

Como comecei a desgostar/desapegar do meu código

O subtítulo é drástico, mas é mais ou menos o que acontece. O que mudou de fato foi o seguinte: TESTES!

Você aprende isso na aula de programação, mas esquece no minuto seguinte.

Se pudesse dar uma recomendação para qualquer programador em qualquer idade, seria o seguinte: Apegue-se a seus testes! É a parte mais importante do seu projeto. É a garantia de que seu código, bonito ou feio, curto ou longo, siga padrões de código ou não (deveria, mas esse é assunto para outro post), funcionará. Muito mais do que simplesmente compilar, o importante é que seu código faça o que ele deveria.

Se você trabalha numa linguagem moderna, ela provavelmente disponibiliza um mecanismo de testes, comumente unitários. Use-o, abuse dele. Nenhum profissional que conheço e que utiliza testes hoje se arrepende. Os que não usam, ficam na categoria dos que “ainda não entenderam”. Isso não vem de mim, mas dos grandes nomes da programação (Robert Martin, Martin Fowler, Dave Farley, entre outros).

Quando você se acostumar com o fato de que trabalho feito significa seu código passar nos testes, será o ponto em que você terá se desapegado dele.

Boa sorte e sucesso!

Excel – Contar valores únicos em 2025+

Este é um truque “antigo”. Direto ao assunto, quando se quer uma lista de valores únicos no Excel, usamos o seguinte:

  • Selecionar a coluna(s) das que ser os valores sem repetição.
  • Na Aba Dados, clicar na opção remover duplicadas:

Direto, simples, e funciona com até várias colunas selecionadas. Essa abordagem, para mim, tem alguns problemas:

  • O resultado é aplicado diretamente, ou seja, isso vai alterar seus dados, o que é invasivo. A alternativa é copiar somente os dados de interesse para outra planilha e fazer a contagem, o que é aceitável para tabelas de dados pequenas.
  • É um trabalhão caso você queira, por exemplo, apenas saber a contagem de itens unicos (é possível com fórmula matriciais, mas a sintaxe é um terror).

Mas o Excel é uma mãe e não nos deixa mão. Com a adição de fórmulas dinâmicas, o feito pode ser feito da seguinte maneira.

Vou usar esta fonte de dados: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_munic%C3%ADpios_do_Brasil_por_popula%C3%A7%C3%A3o_(2022)

Supondo que os dados estejam na coluna D, para obter a lista de estados (Unidade Federativa), faça o seguinte:

Em qualquer célula a direita dos dados, digite a seguinte fórmula:

=ÚNICO(D2:D5571)

O resultado:

Já temos a lista de valores únicos com um mínimo de cliques. Agora, ao objetivo principal deste post, para contar a quantidade de valores únicos, bastaria atualizar a fórmula para o seguinte:

=CONT.VALORES(ÚNICO(D2:D5571))

Mais simples que isso, só perguntando para o Copilot (ops…).

Forte abraço!