Fazendo Mock da Classe HttpClient

O problema?

Ainda que você não viva no mundo dos micro-serviços, uma hora você vai precisar chamar um serviço REST em outra ponta via HTTP/S, e no caso do AspNetCore, o jeito mais natural de fazê-lo é via a classe HttpClient.

Até aqui, tudo tranquilo, os métodos Get, Post, Put, Patch e Delete (talvez até outros) estão lá para serem usados. O problema é, caso sua implementação precise passar por testes unitários, a classe HttpClient pode lhe trazer problemas, já que não há interface disponível para mock e os métodos acima citados não são virtual.

Note que citei que ela “pode” lhe trazer problemas. Como fazer então para que a classe HttpClient não seja um para seus testes unitários?

Tudo se resume ao SendAsync

Se há algo que é mágico no AspNetCore é que ele é código aberto. Isso mesmo, você ir lá no github e ter acesso ao código fonte de praticamente 100% das classes que você usa no seu projeto. E, felizmente, esse é a caso do HttpClient. Vou deixar o link do fonte no fim do artigo.

Dando uma lida na classe, que é bem escrita por sinal, percebe-se que todos os métodos REST com exceção do Get, chamam um método chamado SendAsync, que recebe como parâmetro um objeto HttpRequestMessage e opcionalmente um CancellationToken.

O HttpRequestMessage precisa basicamente do corpo que você enviaria via Post, Put, Patch e Delete. O ponto de atenção é que somente a versão com o CancellationToken é virtual/override. Se você sabe o que o CancellationToken é, você deveria estar usando-o. Caso não, use CancellationToken.None por agora.

O código de exemplo abaixo faz um Post usando HttpClient:

public class MeuController : ControllerBase
{
	private readonly HttpClient client;
 
    public MeuController(HttpClient client)
    {
        this.client = client;
    }
 
	public async Task AlgumPost(Criterios criterios)
	{    
	    // estou ignorando quaisquer configurações de header
	    // também estou assumindo que a classe HttpClient é injetada via construto
		var stringContent = new StringContent(JsonConvert.SerializeObject(criterios), Encoding.UTF8, "application/json");
		var result = await this.client.PostAsync($"url", stringContent, CancellationToken.None);
		return Ok(result);
	}
}

O código é até simples. Agora, o teste unitário que permite você fazer o “mockar” a chamada PostAsync seria o seguinte:

public async Task DeveriaExecutarOSendAsyncAoMenosUmaVez()
{
	// assumindo o uso do Moq e xUnit
	var httpClient = new Mock();
	httpClient
	    .Setup(x => x.SendAsync(It.IsAny(), CancellationToken.None))
	    .ReturnsAsync(new HttpResponseMessage()
	    {
	        StatusCode = HttpStatusCode.OK,
	        Content = new StringContent("{}"),
	    }).Verifiable();
 
	var controller = new MeuController(
	    httpClient.Object
	);
 
	var criterios = new Criterios() { };
 
	var result = await controller.AlgumPost(criterios);
 
	httpClient.Verify(x => x.SendAsync(It.IsAny(), CancellationToken.None), Times.Exactly(1));
}

O teste acima passa com sucesso! Note que não estamos fazendo Mock do PostAsync, mas do SendAsync já que o primeiro não pode ser “mockado”, mas ele chama o segundo. Caso queira checar que a chamada tenha sido correta, basta usar o CallBack oferecido pelo Moq.

Mas e o Get/GetString/GetStringAsync?

O que fazer então com os Gets? Simples! Não os use! Digo isso com certeza pois há uma alternativa muito mais limpa para ele. O próprio Send/SendAsync!

O problema dos Gets é que não há um meio apropriado de tratar erros. Se o request falhar, uma Exception pode ser disparada ou não.

O substituto ideal seria o seguinte:

// ao invés disso
public async Task ObterConteudo()
{
	var resultado = await this.client.GetStringAsync("https://alguma.api.por.ai");
	return Ok(resultado);
}
 
// faça isso
public async Task ObterConteudo()
{
	var requestMessage = new HttpRequestMessage(HttpMethod.Get, "https://alguma.api.por.ai");
	var response = await this.client.SendAsync(requestMessage);
 
	if (response.IsSuccessStatusCode)
	{
	    var resultado = JsonConvert.DeserializeObject(await response.Content.ReadAsStringAsync());
	    return Ok(resultado);
	}
	else
	{
	    return StatusCode((int)response.StatusCode, response.Content.ReadAsStringAsync().Result);
	}
}

Desta forma, o retorno dado ao cliente é muito mais “honesto” e de quebra, você ganha a oportunidade de testá-lo apropriadamente.
Bom proveito!

Código fonte da classe HttpClient:

https://github.com/dotnet/corefx/blob/master/src/System.Net.Http/src/System/Net/Http/HttpClient.cs

Aqui uma implementação de código funcionando:

https://github.com/Tomamais/dotnet_mocking_httpclient

Excel – BDSOMA, BDMULTIPL, BD… e as funções do excel que você deveria conhecer

20 anos usando o Excel e ele ainda me surpreende. E sabe o que é mais curioso? Ele te surpreende com recursos que sempre estiveram lá, há anos, muitos, mas você nunca notou!

Este é o caso das funções de Banco de Dados, ou BD*.

Eu tive contato com estas fórmulas no começo da minha vida no Excel, mas, seja pela forma como ela foi explicada ou minha falta de experiência, acabei não sabendo o que fazer com elas e acabei deixando pra lá.

Não vou abordar todas aqui, primeiro, porque uma vez que você aprenda a usar uma, as outras seguem o mesmo raciocínio de uso, tornando fácil a adaptação, segundo, a lista é longa, terceiro… já esqueci, mas vamos ao que interessa.

No fim do artigo tem uma lista de TODAS as funções de banco de dados do próprio site da Microsoft para você conferir.

É hora do show!

Vou usar aqui o BDSOMA. Ele vai resumir o espetáculo que utilizar as funções de banco de dados. Vou aplicar o conceito máximo do reaproveitamento e utilizar o próprio exemplo da Microsoft.

Considere a tabela de dados abaixo:

ABCDE
1ÁrvoreAlturaIdadeRendimentoLucro
2Maçã182014$105
3Pera121210$96
4Cereja13149$105
5Maçã141510$75
6Pera988$77
7Maçã896$45

Uma lista de simples de pés-de-alguma fruta, coisa que todo morador de interior já teve no quintal de casa.

Para o exemplo, se quisermos extrair a SOMA dos rendimentos, fica fácil, se quisermos extrair a SOMASE a árvore for de Maçã, também fica fácil. Mas, se quisermos extrair a soma se a árvore for Maçã e os redimentos forem maiores que 10 e menores do que 16, precisamos pensar um pouco.

Se você for um pouco letrado no Excel, sabe que isso se resolve com um SOMASES com a seguinte fórmula:

=SOMASES(D2:D7;B2:B7;”>10″;A2:A7;”=Maçã”;B2:B7;”<16″)

Mas, se complicarmos um pouco mais, gerando critérios múltiplos para nossa soma, você precisa ou elaborar muito o SOMASES ou utilizar mais de um. Por exemplo, se eu quiser incluir a soma de tudo o que for Pera, a fórmula fica assim:

=SOMASES(D2:D7;B2:B7;”>10″;A2:A7;”=Maçã”;B2:B7;”<16″)+SOMASES(D2:D7;A2:A7;”=Pera”)

Resolve, mas é “feio”.

Nada contra o SOMASES, o problema é que, se você precisa repetir uma fórmula, a probabilidade de existir uma solução mais simples é inegável. Outra reclamação pessoal que tenho é que, para entender o que está acontecendo, eu basicamente tenho que decifrar a fórmula, ou seja, entrar na célula e lembrar o que ela está fazendo. Para fórmulas simples, isso não é problema, mas para coisas medonhas que requerem quebras de linha, não é tão simples.

Isso não acontece quando você utiliza o BDSOMA. Vamos aplicar o mesmo critério de soma detalhado acima usando-a. Abaixo, a planilha um pouco transformada:


ABCDEF
1ÁrvoreAlturaIdadeRendimentoLucroAltura
2=Maçã>10<16
3=Pera
4
5ÁrvoreAlturaIdadeRendimentoLucro
6Maçã182014$105
7Pera121210$96
8Cereja13149$105
9Maçã141510$75
10Pera988$77
11Maçã896$45

Eu já gosto mais do que estou vendo. Em resumo, a tabela principal foi empurrada algumas linhas para baixo e deu espaço ao que vou chamar de área de filtros ou critérios. Ou seja:

A5:E11 – São os dados que queremos trabalhar

A1:F3 – Os filtros a serem aplicados

Usando o BDSOMA, o mesmo resultado do SOMASES pode ser conseguido com a seguinte fórmula:

=BDSOMA(A5:E11;”Rendimento”;A1:F3)

Explicando a fórmula acima:

  • A5:E11 é obviamente a área de dados a ser avaliada
  • “Rendimento” é a coluna que queremos somar. Sim, você não precisa mencionar índice ou coisa parecida. Basta o nome
  • A1:F3 são os filtros, que podem ser repetidos, unidos e cruzados! Veja que temos duas linhas para dizer que queremos árvores de Maçã OU Pera, e no caso da Maçã, com altura >10 (célula B2) e <16 (célula F2)

Não sei para você leitor, mas para mim, isso é mágico! Os filtros estão à mostra e sei EXATAMENTE o que está sendo considerado na soma! E posso mudar à vontade a área de filtros para ver o resultado mudar, sem precisar mexer na fórmula! Experimente!

Sim, você pode chegar num resultado parecido com o SOMASES, mas dá mais trabalho, já que não é natural.

O formato utilizado é só uma convenção, sendo que os filtros podem ser colocar em qualquer lugar do seu arquivo.

“Mas se eu quiser o PRODUTO? Ou a MÉDIA?”. Oh meu caro padawan, divirta-se com a lista abaixo que utiliza a mesma estrutura do BDSOMA:

Função Descrição
BDMÉDIARetorna a média das entradas selecionadas de um banco de dados
BDCONTARConta as células que contêm números em um banco de dados
BDCONTARAConta células não vazias em um banco de dados
BDEXTRAIRExtrai de um banco de dados um único registro que corresponde a um critério específico
BDMÁXRetorna o valor máximo de entradas selecionadas de um banco de dados
BDMÍNRetorna o valor mínimo de entradas selecionadas de um banco de dados
BDMULTIPLMultiplica os valores em um campo específico de registros que correspondem ao critério em um banco de dados
BDESTEstima o desvio padrão com base em uma amostra de entradas selecionadas de um banco de dados
BDDESVPACalcula o desvio padrão com base na população inteira de entradas selecionadas de um banco de dados
BDSOMASoma os números na coluna de campos de registros do banco de dados que correspondem ao critério
BDVARESTEstima a variação com base em uma amostra de entradas selecionadas de um banco de dados
BDVARPCalcula a variação com base na população inteira de entradas selecionadas de um banco de dados

Você sabe o que é Power BI? Nem eu…

Faz tempo que não escrevo um artigo de opinião. Já era hora de desenferrujar e nada melhor do que polemizar para tal.

Não custa ressaltar que o que escreverei aqui é apenas MINHA OPINIÃO e não necessariamente reflete a verdade ou o que a comunidade pensa. E, por mais que o Power BI esteja mencionado no título, eu não falarei dele.

Sabendo disso, vamos em frente.

A bola da vez?

O assunto da vez, pelo menos no que tange o espectro de curiosos e interessados do Excel, é o Power BI e com ele, os Dashboards.

Não vou entrar no mérito do segundo por ele ser mais abrangente. Isso tem mais ou menos uns 2 a 3 anos da data deste post. Só se fala nele, só se dá curso sobre ele, masterclass, livros, etc. Isso é bom, aquece o mercado, alimenta famílias, engrandece o currículo.

MAS (em caixa alta mesmo) , se você sofre um mínimo do complexo de vira-lata, o que é o meu caso, provavelmente se sentiu “atrasado” em saber que nada sabia sobre o assunto. Como tudo curioso frustrado, fui lá tentar saber o que era. Para minha surpresa, o que encontrei foi isso…

O Power BI não é para mim, e talvez não seja para você

O subtítulo acima foi feito para incomodar, principalmente aos adoradores no Power BI. Entendo, mas há algo que precisa ficar claro aqui.

O Excel é um software com uma quantidade insana de funcionalidades. Nem mesmo os mais experientes conseguiriam enumerar todas, e eles admitem isso (vou deixar para você o trabalho de pesquisar isso. Minha dica é gastar um tempo no Quora vendo respostas dos MVPs).

Diante disso, toda vez que algum recurso revolucinário vem à tona, a primeira coisa que me vem a cabeça é ceticismo, e isso eu aprendi com o João Benito Savastano. Depois de quase 20 anos conhecendo e trabalhando com a ferramenta, achar que falta algo é “meio que” trair a confiança dela.

Não me leve a mal, eu gosto de novidades, tanto que faço questão de sempre ter a última versão do Office instalada no meu Windows. Mas, para ser sincero, depois do SOMASES, CONCAT e UNIRTEXTO, pouca coisa fez diferença para mim, e o Power BI é uma delas. Não é porque o Power BI é ruim. Os colegas da comunidade estão fazendo trabalhos Excelentes divulgando a ferramenta, escrevendo artigos, ministrando cursos e escrevendo livros.

Só que, bem, o Power BI não é para mim, e por alguns motivos simples:

  • ele não tornará meu trabalho melhor
  • ele não tornará meu trabalho mais rápido
  • meus projetos não se beneficiarão dele
  • meus clientes não se beneficiarão dele
  • eu gosto de Dashboards, mas nem meus clientes e nem eu precisamos deles

Isso é mais do que suficiente para eu não me preocupar com ele por enquanto, ou pelo menos até ele ser necessário para mim.

Coitado do Power BI

Aqui, um mea culpa. Eu basicamente massacrei o Power BI sem mesmo tê-lo conhecido. A verdade é que ele acabou sendo o bode expiatório de um problema maior que tentei elaborar acima.

Por isso, para qualquer outro recurso maluco que você acha que deveria conhecer, mas não conhece, pense que, se você é capaz de fazer seu trabalho com produtividade com os recursos que você já sabe, isso é tudo o que você precisa e você pode tranquilamente viver sem nada saber da “nova funcionalidade no pedaço”.

Conhecer coisas novas é tarefa obrigatória de todo profissional da atualidade, mas, com o tempo escasso e o mercado exigente, ser seletivo no que você vai utilizar é o melhor caminho a seguir.

Desculpe Power BI. Quem sabe no futuro…

Excel – Retornando mais de uma coluna com PROCV

Ela de novo, a função PROCV. Seu uso no Excel, se contado, deve ser equivalente ao número de instalações do próprio aplicativo.

Filosofias a parte, tanto quanto o uso do PROCV, fala-se muito das suas limitações. O substituto imediato é a combinação do das funções ÍNDICE e CORRESP, entre outras.

Porém, com uma pequena ajuda de fórmulas matriciais (veja o que são aqui: https://www.tomasvasquez.com.br/blog/microsoft-office/excel-formulas-matriciais), o PROCV por ir além, por exemplo, fazendo retornar mais de coluna ao mesmo tempo.

O problema

Para começar, precisamos de dados. No exemplo utilizado, tenho a base de munícios do Brasil e seus estados.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_munic%C3%ADpios_do_Brasil_por_popula%C3%A7%C3%A3o

Com base nisso, vamos construir um PROCV bem simples (na célula H2):

=PROCV($H$1;$A$2:$E$5571;3;FALSO)

PROCV básico para obter o nome do município pela posição

Até aqui tudo bem, mas, o Brasil tem várias cidades de mesmo nome e saber também o estado ajudaria. Temos algumas formas de fazer isso, sendo a mais óbvia adicionar mais um PROCV ao lado do primeiro. Isso resolve bem para alguns casos, mas, e se precisar fazer isso 3,4 ou mesmo 10 vezes? Há situações em que isso é necessário e a fórmula pode chegar a ficar insanamente comprida. A solução mais elegante é usar PROCV com fórmulas matriciais.

O truque

Estou assumindo que você entende de fórmulas matriciais, com já foi referenciada no link acima.

Uma das coisas mais interessantes que as fórmulas matriciais é sua capacidade de iteração, seja via preenchimento, seja via arrays dentro da su função. Sim! Arrays! Você leu direito!

Começamos com uma pequena modificação no primeiro PROCV escrito, que deve agora parecer com isso:

=PROCV($H$1;$A$2:$E$5571;{3,4};FALSO)

O que mudou foi que, ao invés de mencionar a coluna 3, que refere ao nome do município, temos 2 valores numéricos entre chaves {} e separados por ponto-e-vírgula (separador padrão do Excel em português). O interessante é que quando você confirma a alteração, o Excel não reclama, apesar de ainda não saber o que fazer com aquilo, assumindo apenas o primeiro valor.

Para fazer nosso PROCV retornar os dois valores, há dois passos a serem seguidos:

  • Transformar o PROCV acima em matricial
  • Fazer algo com o resultado

A primeira parte é fácil. Basta entrar na célula e digitar o atalho Ctrl+Shift+Enter. Isso adicionará chaves em volta da fórmula provando que ela está no formato matricial. Mas, após isso, nada muda:

Matricial agora, mas não completo

O detalhe é que, a fórmula toda agora está retornando vários valores, mas o mecanismo padrão do Excel só interpreta um. Para pegar todos os resultados, precisamos de funções que recebem vários valores e fazem algo com eles, por exemplo, SOMA, MÉDIA, MÁX e, no nosso caso, CONCAT!

A CONCAT nada mais, nada mesmo que une os valores de texto que lhe são passados. Adicionando ela ao mix, temos o seguinte:

{=CONCAT(PROCV($H$1;$A$2:$E$5571;{3;4};FALSO))}

Agora concatenando tudo!

Um exemplo mais maluco ainda, agora usando UNIRTEXTO:

{=UNIRTEXTO(” – “;VERDADEIRO;PROCV($H$1;$A$2:$E$5571;{2;3;4;5};FALSO))}

PROCV com UNIRTEXTO com Fórmulas Matriciais. Não dá pra ser melhor!

Com isso, você não deve precisar mais precisar colocar vários PROCVs seguidos quando mais de uma coluna tiver que ser retornada.

Agora é com você Exceleiro de plantão! Caso tenha mais alguma maluca que possa fazer uso deste curso, coloque aí nos comentários!

Bom proveito!

Tecnologia e Programação