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Mobilidade – Avaliação pessoal Nokia Lumia 800

Porque estou escrevendo este post? Primeiro porque adquiri o referido aparelho. Segundo porque ainda acho que faz muita falta alguns reviews de ordem pessoal, sem influencias externas ou sob a batuta de algum interesse maior. Terceiro e mais óbvio, porque deu vontade e disposição de fazê-lo.

Contextualizando, escrever esta análise ganhou sentido pois Nokia Lumia 800 teve seu preço drásticamente reduzido nos últimos meses, o que fez com que o interesse do público por ele aumentasse consideravelmente. Apesar de motivos que falem contra, ele ainda se coloca como um smartphone top (ou quase) de linha, competindo com vários Androids de custo bem acima dos 1000 reais, nos dias de hoje, Galasy SII, Motorola RAZR e Galaxy X/Nexus. Fora isso, tem o fato de que os smartphones com Windows Phone 8 terem previsão de chegada no Brasil só para 2013, sabe lá em qual parte, e, quando isso acontecer, como o preço será para lá de salgado, faz com que esse aparelho e o sistema que carrega estejam em nosso dia a dia por um bom tempo. Cheguei a ver recentemente promoções deste por até 650 Dilmas (não me perguntem onde, só sei que vi).

Mais motivos são desnecessários, mas reforço com alguns fatores relevantes, que servem inclusive para ponderar a leitura, como ser fã de carteirinha da marca Nokia e ter a oportunidade de comparar o Windows Phone frente a experiências que tive com o Android e o iOS, mais um caldo do moribundo Symbian, já que o aparelho que usava antes do Lumia era um Nokia N8 rodando Symbian Belle (eu sei que o nome mudou para Nokia Belle, mas gosto de chamar de Symbian mesmo assim).

Vou poupar vocês de colocar fotos do aparelho a fim de demonstrar o que for dito. Primeiro porque sou um péssimo tirador de fotos. Segundo porque sites profissionais já fizeram e desfizeram isso algumas centenas de vezes. No fim do post, coloquei os links para alguns desses sites que acho muito bons.

Bom, vamos aos fatos. São minhas impressões, por isso, posso não mencionar algum aspecto que lhe interesse, já que vou refletir aqui somentes as experiências que tive, mas fique a vontade para perguntar sobre alguma outra funcionalidade que achar interessante. Se algo descrito aqui caracterizar erro, a área de comentários está lá para isso. Pode detonar, mas com parcimônia.

A máquina

nokia-lumia-800-branco

Nokia é Nokia. Todo fanboy sabe disso e aqui não foi diferente. O aparelho é lindo. Não esperava outra coisa, já que o design herdado do Nokia N9 era mais do que motivo para fazer do aparelho uma obra de arte. Já tinha tateado um N9 e a impressão que ficou foi de total agrado, que se repetiu aqui.

A tela curva é um charme, bem como a carcaça monobloco. A cor branca, a eleita, faz o aparelho ser agradável de olhar, e mostrar, claro. Outros colegas donos de Lumia 800 e 900 concordaram que o modelo branco é um show a parte. Só uma coisa chateou. Apesar da cor branca, o capinha que acompanha é preta. Fazer o que?

O restante é o padrão Nokia. Botões de volume e desbloqueio bem colocados na lateral direita do aparelho. A lateral esquerda é lisa. É bonito, mas inútil. Um micro SD iria muito bem ali. Os botões virtuais na parte da frente são os do Windows, que na verdade, só existem para que a marca da janela fique exposta nos aparelhos que rodem o sistema, porque podiam muito bem ou ser físicos, ou fazerem parte da própria tela do sistema.

O mini-sim é agradável só de ver, mas uma hora vai dar trabalho. Quando? Aquela hora que você nunca quer que chegue, desde o aparelho ficar sem bateria até ele dar defeito, que é quando você pega o seu chip e coloca em outro celular para seguir com a vida. Bom, nada disso aqui.

O Windows Phone 7.x

É isso aí. Não vai passar do 7.x e isso nós já sabemos. Sabemos também que isso é coisa para nerds pois usuários comuns não fazem ideia (e nem querem) do que roda no espertofone deles. Ele quer que rode, bonito, rápido e sem travar. Então, nada de reclamar.

A parte disso, o Windows Phone é um bom sistema. Muito bem resolvido, dá a sensação de ser muito rápido e fluído. Os efeitos das trocas de tela são agradáveis e contextuais. Você abre o aplicativo, o efeito é um “abrir a porta”. Fechar é o contrário. Transições suaves e não engasgam. Para um processador abaixo da média do mercado, impressiona.

Multi tarefa? Nem pensar. O que você tem uma manutenção de estado do aplicativo “não garantida”, muito próxima ao que o iOS oferece. Alguns aplicativos mais maduros, como o navegador, abre graciosamente na última página acessada. Já outros, reiniciam do nada, ignorando o que você estava fazendo até então.

O que doeu de verdade foi o fato de ficar preso ao Internet Explorer. Ele não é um navegador ruim, mas também não chega a ser bom. HTML5? Passa raspando, longe. O campos numéricos não são obedecidos, que faz ele apresentar o querty inteiro, mesmo no campo agência do banco. Uma lástima. Para efeito de comparação, você não se sentirá mais satisfeito com ele do que com o navegador nativo do Symbian, que ao menos é baseado no WebKit.

Há uma grande expectativa sobre o upgrade chamado Windows Phone 7.8, que trará algumas das vantagens que vieram com o Windows Phone 8. Sinceramente, não espero muito. Se fosse colocar algo na lista de desejos, seria a possibilidade de utilizar outro navedor e que a parte do multitarefa fosse melhorada.

Aplicativos

Alô Brasil! Sentia raiva da Nokia Store (finada Ovi)? Aqui não vai ser diferente. Talvez a coisa lá fora seja melhor, mas meu amigo, as novidades são raras. Não vai levar mais de uma semana para você enjoar de abrir o Market Place e ver sempre a mesma coisa.

A parte boa é que, tudo que é feito, é lindo, acompanhando o estilo metro de ser. Todos os aplicativos que também existem no iOS e Android, são mais bem acabados aqui, pelo menos os que tive contato. São eles:

  • Facebook
  • Twitter
  • Evernote
  • FourSquare
  • NetFlix
  • Skype

São todos adaptados com primor para a interface metro do Windows Phone e trazem uma experiência magnífica. Depois de usá-los aqui, os mesmos no Android e iOS ficam literalmente chatos.

Quanto aos games, vou falar pouco, mas acredito que o melhor daqui seja a integração com o XBox. Quem não tiver, paciência. Preciso testar mais.

O People Hub

Não tem conversa. Essa é a razão de ser do Windows Phone, e também é a razão pela qual você vai amá-lo, ou pelo menos se conter em não jogar ele na parede e voltar/ir para o iOS ou Android.

É agradabilíssimo navegar pelo newsfeed mesclando suas redes sociais. Não gosta de redes sociais? Tudo bem. Crie Tiles (aqueles quadrados que ficam na home) dos seus contatos preferidos e as novidades sobre eles e só sobre eles estarão ali! Nenhum sistema de hubs conseguiu algo tão integrado, tão simples. Sem exagero, tem dias que é mais agradável olhar a timeline do Windows Phone do que no app nativo do iOS ou mesmo no site do Facebook.

Fica faltando aqui integração com redes sociais não tão oficiais, mas que podem ser do interesse do usuário (alô, Google Plus?).

Bateria

Esse é um assunto tão falado a respeito deste aparelho que vou deixar ele para outros blogs, que o tem cuspido e  escarrado. A Nokia publicou recentemente algumas dicas de como prolongar a vida da bateria do Lumia neste link, mas segundo o descrito, seria quase o mesmo que desligar o aparelho, pelo menos na minha opinião.

No mais, deixo-o carregando todas as noites e quando possível, na USB do trabalho. Tem dado para viver.

Consumo de dados

Não posso dizer que é uma surpresa aqui, mas comparado ao N8, o Lumia é um bebum com pedigree. Acredito que a maior parte de culpa era o uso intenso que fazia do Opera Mini no Symbian, não disponível no WIndows Phone 7.5, que reduzia significativamente o consumo de dados. Com ele, era difícil alcançar a cota de 250MB do plano que tinha com o N8. Já com o Lumia, 100MB se vão rapidamente em 7 dias, mantendo o mesmo padrão de uso.

Como o consumo do iOS é algo parecido, vou declarar o vilão (ou seria herói?) da história como sendo o Opera Mini, que tem previsão de lançamento para o Windows Phone 8. Quem sabe sobre alguma dedicação para vesioná-lo para o 7.8?

O momento nefasto

Pois é, aconteceu. O bom e velho Windows precisou ser formatado. A culpa, segundo um blog especializado, cujo o link perdi em algum canto do meu histórico, era da sincronização realizada com o Zune, aquela coisa que a Microsoft lançou para gerenciar as mídias dos dispositivos móveis baseados em Windows.

De uma hora para outra, o Lumia parou de fazer ligações. SMS, Internet, tudo ok. Até recebia ligações, mas fazer, necas. Falei com a Nokia e a orientação foi trocar o chip ou formatar o aparelho. Fui na primeira opção, onde o atendente da operadora disse para deixar o celular o celular desligado durante a noite para fazer uma atualização. Passei um tempo tentando entender a lógica disso, mas desisti. Fiz o recomendado, mas nada. O jeito foi apelar para a formatação. Depois do backup e formatação, tudo voltou a funcionar.

Apesar de 90% dos dados dos aplicativos estarem na nuvem (obrigado internet), é algo que beira a decepção. O aparelho não tinha um mês de uso quando precisei executar o procedimento. O resultado foi viver longe do Zune. Atualmente, sincronizo músicas através do aplicativo padrão que a Microsoft disponibiliza para o Mac OX, homônimo ao sistema móvel, mas nem todos tem a sorte de ter o Mac OS rodando em suas máquinas.

A boa notícia é que o Zune está com os dias contados. O que o substituirá, bem…

Porque não o Lumia 900?

Aqui foi uma questão pessoal. Para começar, o Lumia 800, ao lado do 710, foi o pioneiro, o anfitrião e merecia tal homenagem. Mas, se teve uma coisa que me conquistou no Lumia 800 foi a tela curvada. Não canso de olhar para ela e o reflexo irregular que produz, acompanhando o corpo que também é abaolado. A cor branca do modelo adquirido ajuda um bocado em ressaltar o efeito.

De resto, as vantagens do Lumia 900 não compensavam o preço, pelo menos para mim (uma diferença de 500 Dilmas). A segunda câmera era algo que pouco utilizava no N8, então, não vai fazer falta por um tempo. O processador não fez falta até o momento, quem sabe daqui algum tempo. O tamanho da tela não justifica o tamanho do aparelho. A pegada no 800 é melhor. Tela grande é legal, sim, sem dúvida, mas o Lumia ficou troncudo demais com a tela de 4.3. O Galaxy SII tem o mesmo tamanho de tela, mas orna melhor.

A grande destavantagem que é preciso admitir é que o Lumia 900 suporta HSDPA+, a tecnologia lançada recentemente pela Claro (3GMax) e Vivo (3GPlus) que proporciona velocidades maiores na conexão móvel, enquanto o Lumia 800 fica só no 3G.

Conclusão

Não há, pelo menos por enquanto. Pretendo que esta analise continue, já que estou no terceiro mês com o aparelho e o descrito até aqui estar longe de cobrir todos so aspectos relevantes de um smartphone. Para o momento, as palavras que me vêm a cabeça quando olho para ele são:

  • bonito
  • robusto
  • “social”
  • limitado
  • imaturo
  • Nokia

sendo totalmente honesto. A sensação que fica é que o celular tem um grande potencial. O problema é que ninguém quer comprar um smartphone com potencial. Todos querem que seu aparelho venha pronto para a briga, no máximo instalando um ou outro aplicativo. Colegas que possuem o aparelho se dizem felizes com ele, mas não convencem. É um aparelho que tem as limitações do iOS, sem ter um décimo dos aplicativos e serviços que o concorrente tem. O Android vence pela liberdade.

Só resta esperar que as atualizações prometidas pela Nokia resolvam os problemas mais graves.

Referências

http://www.gsmarena.com/nokia_lumia_800-4240.php

http://www.themobilefanatics.com/nokia-lumia-800-the-full-review/